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Voando a 6.000 M

20/05/2012

O Illimani é o ponto culminante e principal montanha da Cordillera Real, Andes Bollivianos. Esta cordilheira tem 200 km de extensão, no sentido noroeste-sudeste e bordeja o lado oriental do Altiplano Boliviano (4000 metros de altitude média), com La Paz e o lago Titicaca de espectadores. Trata-se de um local mundialmente conhecido e muito procurado para a prática do trekking e da escalada, dada a grande quantidade de montanhas com cumes acima dos 6000 metros e com diversos graus de dificuldade. Tudo isso aliado a uma paisagem esplendorosa. Porém, não é comum a prática do vôo livre nessa região, devido aos fortes ventos. O forte do vôo livre na Bolívia está em Coroico - nas Yungas - e em Cochabamba. Mas estou certo que, na região do Lago Titicaca, próximo a Copacabana, o potencial é bom para o vôo, como tive a felicidade de comprovar.

A nossa expedição, Cordillera Real -1999, foi composta pelos montanhistas Adair Schizzi, Adriano Formiga, Jorge Cambiaso e eu. O objetivo do grupo era escalar duas montanhas: o Illimani e o Illampu, ambas com mais de 6000m. Participei apenas da escalada do Illimani, onde meu objetivo principal foi decolar de parapente do cume e voar acima dos 6 mil metros de altitude.

Chegamos a La Paz no dia 31 de julho e dois dias mais tarde fomos para a cidade de Copacabana (que deu origem ao nome da nossa Copacabana), na região do lago Titicaca (o lago navegável mais alto do mundo, a 3810 metros de altitude e 8.500 km²). Meu objetivo era, além de estar em processo de aclimatação à altitude, fazer dois vôos de parapente em altitudes superiores a 4 mil metros, para experimentar o vôo em ar rarefeito. Tive a oportunidade de voar sobre o Lago Titicaca e sobre a cidade histórica de Copacabana. Um visual indescritível. Voltando a La Paz, seguimos para a região do Vale do Condoriri, já na Cordillera Real, para um processo mais apurado de aclimatação. Acampamos a uma altitude de 4200 metros e fizemos caminhadas forçadas até o Monte Tarija (5200m), em zona glacial. Feita a aclimatação, partimos para o objetivo central: escalar o Illimani e eu, em particular, tentar o vôo do cume.

A escalada do Illimani demandou 4 dias. No primeiro dia chegamos ao Campo Base (4450m) após 4 horas de caminhada, subindo um desnível de 1000m desde o povoado de Una. No segundo, partimos para o Campo Alto - Nido de Condores - vencendo novamente um desnível de 1000m, onde acampamos a uma altitude de 5500m. Partimos para o cume na madrugada do dia seguinte, às 03:45h, numa madrugada gélida (devia estar uns 20º negativos), porém muito límpida. La Paz ao fundo, com suas luzes, fazia-nos esquecer o cansaço e o desconforto do frio e das pesadas roupas e equipamentos de escalada. E Cecílio com meu parapente às costas: eu admirava sua força.

O dia clareou e o sol bateu quente. As mãos e os pés pararam de doer do frio extremo. Passamos algumas gretas, algumas paredes de gelo e, enfim, chegamos ao cume às 13:30h, completamente exaustos. Dali a uma hora eu conseguiria decolar daquela montanha majestosa para o meu mais importante vôo no Paramontanhismo. Muito abaixo, em Nido de Condores, expedições de diversos países do mundo pararam para assistir meu vôo (também tenho ego, pô).

A decolagem foi punk. O vento (entre 15 e 30 km/h) entrava de frente na rampa, mas sua direção geral era NW, no sentido do Illimani, ou seja 90° da face da montanha. Isso fez com que o vôo próximo à montanha estivesse muito turbulento. Decolei de uma plataforma de gelo inclinada uns 30º, bastante segura, a uns 20 metros de um abismo. Quando cheguei ao abismo, já em vôo, estilinguei para cima passando do cume e chacoalhando pacas. Mãos firmes nos freios. No momento tive dificuldade de ficar sentado, pois estava entupido de roupas e de equipamentos de escalada e não podia tirar as mãos dos freios. Tive receio de ir para atrás da montanha, para o rotor (zona sem controle de vôo), pois a velocidade do vento se intensificava muito para cima. Se tivesse que atirar para trás, fugindo do rotor, não sei para onde iria. Para trás havia um mar de cúmulos escurinhos, com topo a 6000m e o chão baixando a 2000m. Porém o ar rarefeito fez com que a velocidade do velame fosse muito maior que o esperado. Parecia que eu estava com um de competição. Avancei bastante para frente, passei por Nido de Condores e fiquei um tempinho rodando, aproveitando umas térmicas e deixando a galera fotografar.

Afastado das encostas da montanha o vôo passou de turbulento a agradável. Fui para o vale e e aí foi só curtir 45 maravilhosos minutos. Pousei 2000m abaixo da decolagem, no Campo Base. Meus amigos só chegariam no dia seguinte, após muitas horas de caminhada, enquanto eu desci em 45 minutos, confortavelmente sentado e curtindo todo aquele visual. À noite, para dormir, tive que pedir emprestado um isolante térmico (colchonete) e me enrolar no querido paraca. Dormi bem, sob temperaturas negativas e um céu muito estrelado de ar rarefeito, repleto de estrelas cadentes.

» Montanhismo e Vôo Livre - Illimani um vôo acima dos 6.000m

» Illimani um vôo acima dos 6.000m - relato completo




Categorias: PARAPENTE Andes Bollivianos

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